Em sessão solene realizada na Câmara de Vereadores de Itapema, a AIL concedeu à educadora e ex-vereadora o título de Membro-Honorária Post Mortem, lançou a antologia “Para Sempre, Rita!” e reuniu familiares, amigos e representantes da cultura para celebrar um legado que permanece vivo na história do município.
Há pessoas cuja história não termina com a despedida. Permanece nos ensinamentos compartilhados, nas vidas transformadas, nas instituições que ajudaram a construir e nas lembranças daqueles que tiveram o privilégio de caminhar ao seu lado. Foi sob esse sentimento que a Academia Itapemense de Letras (AIL) prestou uma emocionante homenagem a Rita Carolina Werner Wollinger, educadora, ex-secretária municipal de Educação e ex-vereadora de Itapema, cuja trajetória deixou marcas profundas na vida pública, educacional e comunitária do município.
Na sexta-feira, 16 de outubro de 2026, a Câmara Municipal de Vereadores de Itapema foi palco de uma sessão solene dedicada à preservação de sua memória. A programação teve como momentos centrais a concessão do título de Membro-Honorária Post Mortem, a inscrição permanente de seu nome no Livro de Honrarias da Academia e o lançamento da antologia Para Sempre, Rita!, obra que reúne lembranças, relatos e reflexões de pessoas que conviveram com a homenageada.
A cerimônia reuniu autoridades municipais, acadêmicos, representantes de instituições literárias, familiares, amigos e pessoas que reconheceram, ao longo dos anos, a importância de Rita para a comunidade itapemense.
Mais do que recordar uma trajetória, a AIL transformou a solenidade em um compromisso público com a memória: o de garantir que a história de uma mulher que dedicou décadas à educação e à vida comunitária continue conhecida pelas gerações presentes e futuras.
Uma homenagem aprovada por unanimidade
A iniciativa de conceder a Rita Carolina Werner Wollinger o título de Membro-Honorária Post Mortem surgiu em setembro de 2025, durante o ano em que a Academia Itapemense de Letras celebrava seus 25 anos de fundação.
A indicação, datada de 25 de setembro de 2025, foi apresentada pelos acadêmicos André Gobbo, Ilda Helena Cezar, Marileide Lonzetti, Maristela Oliveira Rocha, Estella Parisotto Lucas e Magnus Francisco Antunes Guimarães, recebendo aprovação unânime dos demais membros da instituição.
A homenagem reconhece a contribuição de Rita à educação, à cultura e à comunidade itapemense, bem como sua trajetória de dedicação ao serviço público e à formação de cidadãos.
Durante a solenidade, a concessão do título ganhou caráter oficial com a leitura da Resolução nº 004/AIL/2026, que formalizou o reconhecimento e determinou a inscrição permanente de seu nome no Livro de Honrarias da Academia.
O documento, assinado pelo presidente da AIL, Dr. André Gobbo, em 16 de outubro de 2026, estabeleceu o registro da homenagem nos arquivos históricos da instituição, assegurando a preservação de sua memória.
A decisão representa o reconhecimento de que o legado de uma personalidade não se limita ao tempo de sua existência. Ele também se manifesta nas transformações que promoveu, nos valores que defendeu e nas pessoas que ajudou a formar.
Magnus Guimarães relembra a educadora que ajudou a transformar Itapema
Um dos momentos mais marcantes da sessão foi o pronunciamento do acadêmico Magnus Francisco Antunes Guimarães, que compartilhou lembranças de sua convivência com Rita e recordou sua atuação na administração municipal, especialmente na área da educação.
Ao resgatar o contexto político de 1996, Magnus relatou como Rita chegou à equipe que assumiria a gestão municipal no ano seguinte. Sua indicação para a Secretaria Municipal de Educação ocorreu por intermédio de Darcy Steil da Silva, vice-prefeita eleita, que reconhecia a experiência e a competência da professora.
Segundo o relato, Rita demonstrou desde o primeiro encontro uma visão abrangente da educação pública. Antes mesmo da posse da nova administração, apresentou propostas para a organização do sistema municipal de ensino, com atenção especial à formação e à qualificação dos professores, à segurança jurídica dos servidores e à estruturação da rede educacional.
Magnus recordou sua impressão diante do planejamento apresentado pela educadora e de sua capacidade de identificar caminhos para fortalecer a administração pública.
Ao mencionar a importância de sua atuação, destacou:
“Confesso que fiquei impressionado. O plano era irretocável.”
A lembrança sintetiza a imagem de uma profissional que não se limitava a ocupar um cargo, mas procurava compreender os desafios da educação e construir soluções capazes de produzir resultados duradouros.
Uma gestão marcada por avanços na educação
Em seu discurso, Magnus destacou iniciativas desenvolvidas durante a gestão municipal de 1997 a 2000, período em que Rita esteve à frente da Secretaria Municipal de Educação.
Entre as ações lembradas estão a formação continuada dos profissionais do ensino, a criação de oficinas de trabalho, o fortalecimento dos conselhos municipais, a estruturação de equipes pedagógicas e o incentivo à busca de qualificação em instituições de ensino superior.
O acadêmico também recordou a criação do Coral Vivaz, iniciativa cultural vinculada à Secretaria Municipal de Educação, que contribuiu para aproximar educação e arte.
Outro ponto importante do pronunciamento foi a participação da Secretaria na elaboração de normas municipais voltadas à organização do serviço público e à carreira do magistério.
Magnus citou a Lei Municipal nº 1.496/1998, referente ao regime dos servidores públicos municipais, e a Lei Municipal nº 1.497/1998, que instituiu o Plano de Carreira para o Magistério Público de Itapema.
Ao recordar esses avanços, ressaltou a determinação e a liderança de Rita, reconhecendo sua contribuição para o fortalecimento institucional da educação municipal.
A trajetória da homenageada também se estendeu ao Poder Legislativo. Eleita vereadora em 2000, Rita deixou a Secretaria Municipal de Educação para assumir um novo desafio na vida pública, levando à Câmara de Vereadores a experiência acumulada na gestão educacional.
Magnus lembrou ainda que Rita dedicou 43 anos à docência e à educação, construindo uma história profissional marcada pelo compromisso com a formação humana.
Em um dos trechos mais emocionantes de sua fala, dirigiu-se diretamente à homenageada, ressaltando a força de seu exemplo:
“Rita! Você foi um farol que iluminou várias gerações de adolescentes.”
A metáfora sintetizou o reconhecimento à professora que, por meio do trabalho, da disciplina, do conhecimento e da dedicação, contribuiu para orientar gerações de estudantes e profissionais.
Ao final, Magnus reafirmou que a morte não apagou a contribuição de Rita e que sua memória permanece consagrada na Academia Itapemense de Letras, agora reconhecida oficialmente como Membro-Honorária Post Mortem.
Ana Carolina Wollinger: “Minha mãe foi casa”
A homenagem ganhou uma dimensão profundamente pessoal com o pronunciamento de Ana Carolina Wollinger, filha de Rita, que falou em nome da família e compartilhou lembranças da mulher que conheceu dentro de casa e que, ao longo da vida, também se tornou referência para tantas outras pessoas.
Em sua fala, Ana Carolina partiu de uma conhecida reflexão sobre três realizações humanas: ter filhos, plantar uma árvore e escrever um livro. Ao relacionar essa ideia à trajetória da mãe, mostrou como Rita foi muito além dos limites da maternidade e deixou marcas em diferentes espaços da comunidade.
A filha recordou a capacidade de acolhimento da educadora, que se preocupava com as pessoas, oferecia orientação e procurava ajudar mesmo quando os problemas não eram diretamente seus.
Segundo Ana Carolina, o cuidado de Rita alcançou alunos, professores, amigos, conhecidos e pessoas que cruzaram seu caminho por pouco tempo.
Ao falar sobre a educação, destacou as sementes plantadas pela mãe na formação de estudantes, no incentivo aos professores, na defesa da escola pública e no apoio a inúmeras famílias.
Essas sementes, conforme relatou, continuam florescendo nas lembranças de antigos alunos e nas histórias de pessoas que ainda guardam os conselhos e gestos de solidariedade recebidos.
Em uma passagem especialmente tocante, Ana Carolina expressou a dimensão que a trajetória da mãe assumiu para além do ambiente familiar:
“Porque existe algo muito particular em ser filho de alguém como a Rita: a sensação de ter dividido a própria mãe com uma cidade inteira.”
A frase traduziu a percepção de uma filha que, depois da perda, passou a conhecer ainda mais profundamente a extensão do trabalho e das relações construídas pela mãe ao longo de décadas.
Uma história que merecia ser escrita
Ana Carolina também refletiu sobre o fato de Rita não ter escrito um livro sobre a própria vida. A trajetória da educadora, interrompida precocemente, não lhe permitiu realizar tudo aquilo que ainda poderia ter feito.
Entretanto, a filha encontrou na antologia uma forma de reconhecer a dimensão da história que a mãe deixou.
“Minha mãe não chegou a escrever um livro. Ela se tornou a história de um.”
A declaração emocionou ao expressar o sentido da obra lançada pela Academia: reunir as lembranças de diferentes pessoas para transformar experiências individuais em patrimônio coletivo.
Para Ana Carolina, tornar-se tema de um livro significa ter deixado algo significativo na vida dos outros, uma história que merece ser contada e preservada.
A filha também recordou a ligação de Rita com a Câmara de Vereadores, espaço em que exerceu seu mandato e defendeu suas convicções. Voltar àquele ambiente para ouvir outras pessoas falarem sobre a mãe tornou-se, assim, um gesto carregado de simbolismo.
Ao mencionar a memória que permanece nas escolas, na política, na família e nas relações construídas, Ana Carolina recorreu a uma expressão que sintetiza a essência da homenagem:
“Ainda estou aqui.”
A frase passou a representar, em seu discurso, a permanência de Rita nas histórias, nos ensinamentos, nos valores familiares e nas vidas que ajudou a transformar.
Ao encerrar, agradeceu a todos os que participaram da homenagem e contribuíram com lembranças para a coletânea, reconhecendo que a publicação permitirá que a história da mãe seja conhecida também por pessoas que não tiveram a oportunidade de conviver com ela.
Sua fala reafirmou que a memória não elimina a ausência, mas permite que os vínculos, os exemplos e os ensinamentos continuem presentes na vida de quem fica.
André Gobbo: preservar a memória é também construir o futuro
O presidente da Academia Itapemense de Letras, Dr. André Gobbo, conduziu institucionalmente a homenagem e formalizou a concessão do título de Membro-Honorária Post Mortem, reafirmando a responsabilidade da Academia de preservar a memória de personalidades que contribuíram para a história e para o desenvolvimento cultural de Itapema.
Em seu pronunciamento de abertura, André destacou o significado especial da data, lembrando que o dia 16 de outubro também marca o nascimento do saudoso acadêmico e ex-presidente da AIL Pedro de Quadros Du Bois, que completaria 79 anos, e do folclorista catarinense Franklin Cascaes.
Ao relacionar essas referências à homenagem prestada a Rita, o presidente ressaltou que a memória de uma pessoa permanece viva quando suas ideias, seus exemplos e suas realizações encontram continuidade nas gerações seguintes.
Em uma passagem que sintetizou o espírito da solenidade, declarou:
“Enquanto perdurar essa Academia, Pedro permanece! Cascaes permanece! E Rita permanecerá!”
A afirmação expressa a compreensão de que a missão de uma Academia de Letras vai além da produção literária: inclui o dever de reconhecer trajetórias, preservar referências culturais e impedir que histórias importantes desapareçam com o passar do tempo.
A homenagem a Rita também se insere nesse compromisso institucional. Ao reconhecer sua contribuição à educação, à cultura e à comunidade, a AIL incorpora seu nome à própria história e assume a responsabilidade de manter vivo o significado de sua trajetória.
A palavra transformada em memória permanente
A assinatura da Resolução nº 004/AIL/2026 e a inscrição do nome de Rita no Livro de Honrarias constituíram atos formais de reconhecimento e preservação histórica.
A resolução determina que a homenagem integre o acervo documental da Academia, registrando institucionalmente o legado da educadora para as gerações presentes e futuras.
A iniciativa reafirma um princípio essencial à atuação da AIL: a memória cultural precisa ser cuidada, documentada e transmitida. Não basta recordar individualmente aqueles que contribuíram para a comunidade; é necessário criar registros que permitam que suas histórias continuem acessíveis.
Nesse sentido, a concessão do título não foi apenas um gesto simbólico de reconhecimento à trajetória de Rita. Foi também uma decisão institucional destinada a assegurar que seu nome permaneça vinculado à história da literatura, da cultura e da vida comunitária de Itapema.
“Para Sempre, Rita!”: um livro para que a história continue sendo contada
Se o título de Membro-Honorária Post Mortem representou o reconhecimento institucional, a antologia Para Sempre, Rita! deu forma concreta à preservação das lembranças.
Organizada pela Academia Itapemense de Letras, a obra reúne textos de familiares, amigos, acadêmicos e pessoas que compartilharam diferentes momentos da trajetória da homenageada.
Cada contribuição apresenta um olhar particular sobre Rita: a professora, a gestora pública, a vereadora, a amiga, a mãe e a mulher que marcou a vida de tantas pessoas.
O livro não se limita a reunir informações biográficas. Sua proposta é preservar a dimensão humana de uma trajetória, permitindo que diferentes vozes reconstruam lembranças e revelem aspectos de uma história que pertence tanto à família quanto à comunidade.
Durante a apresentação da antologia, a mensagem central foi a de que algumas pessoas permanecem nas histórias que contamos, nas vidas que transformaram e nos lugares que ajudaram a construir.
A obra representa, assim, um registro afetivo e histórico, destinado a aproximar as gerações futuras de uma mulher cuja atuação esteve profundamente ligada à educação e ao desenvolvimento de Itapema.
O lançamento também proporcionou um momento de reencontro entre familiares, amigos e colaboradores da coletânea. Exemplares foram entregues aos participantes da obra, em reconhecimento à contribuição de cada um para a preservação das lembranças.
A publicação amplia o alcance da homenagem: aquilo que poderia permanecer restrito às recordações individuais passa a integrar um livro que pode ser consultado, compartilhado e transmitido ao longo do tempo.
Enquanto houver leitores dispostos a conhecer a história de Rita Carolina Werner Wollinger, sua trajetória continuará despertando reflexões sobre educação, compromisso público, solidariedade e participação comunitária.
Uma vida dedicada à educação e à comunidade
A história de Rita Carolina Werner Wollinger está ligada a diferentes momentos da trajetória de Itapema.
Nascida em 23 de junho de 1959, em Brusque, Santa Catarina, construiu uma carreira dedicada à educação, atuando como professora, orientadora educacional, gestora e dirigente pública.
Sua formação incluiu graduação em Pedagogia, com habilitação em Administração Escolar, e em Administração de Empresas, além de outras qualificações voltadas à área educacional.
Ao longo da carreira, exerceu atividades em instituições de ensino e órgãos educacionais de Santa Catarina, acumulando experiência que posteriormente colocou a serviço do município de Itapema.
À frente da Secretaria Municipal de Educação, participou de iniciativas voltadas à qualificação dos profissionais, à organização da rede de ensino e ao fortalecimento das políticas públicas educacionais.
Em 2000, foi eleita vereadora, passando a atuar também no Poder Legislativo municipal. Sua presença na vida pública ampliou sua contribuição à comunidade e consolidou sua trajetória como uma mulher que ocupou espaços de decisão e participou diretamente da construção das políticas locais.
Rita faleceu em 29 de março de 2021, vítima da Covid-19, durante um dos períodos mais difíceis da pandemia no Brasil.
Sua partida provocou comoção entre familiares, amigos, educadores e pessoas que reconheciam sua atuação na vida pública e comunitária.
Cinco anos depois, a homenagem promovida pela Academia Itapemense de Letras reafirma que sua contribuição permanece presente na memória da cidade.
A memória como compromisso das instituições culturais
A homenagem a Rita também evidencia a importância do papel desempenhado pelas instituições culturais na preservação da história local.
Ao reconhecer personalidades que contribuíram para o desenvolvimento da comunidade, uma Academia de Letras ajuda a construir referências para o presente e para o futuro. Registros, livros, discursos e atos oficiais permitem que trajetórias individuais sejam compreendidas em seu contexto histórico e transmitidas às novas gerações.
A AIL, fundada em 1º de setembro de 2000, tem desenvolvido atividades voltadas à literatura, à educação, à valorização de escritores e à preservação da memória cultural de Itapema e da região.
A concessão do título de Membro-Honorária Post Mortem a Rita Carolina Werner Wollinger integra esse compromisso, reconhecendo que a cultura também se constrói por meio das ações de pessoas que dedicaram sua vida à formação humana e ao serviço à sociedade.
Ao reunir a homenagem institucional e o lançamento de uma antologia, a Academia transformou a lembrança em registro e o reconhecimento em legado.
Para sempre, Rita!
A sessão solene de 16 de outubro de 2026 ficará marcada como um momento de reconhecimento, gratidão e preservação da memória de Rita Carolina Werner Wollinger.
Nas palavras de Magnus Guimarães, permaneceu a imagem da educadora que iluminou gerações. No pronunciamento de Ana Carolina, revelou-se a dimensão humana de uma mãe que também foi abrigo para muitas outras pessoas. Na manifestação institucional de André Gobbo, reafirmou-se o compromisso de uma Academia que reconhece a importância de preservar aqueles que ajudaram a construir a história de sua comunidade.
O título de Membro-Honorária Post Mortem, o registro no Livro de Honrarias e a publicação de Para Sempre, Rita! constituem diferentes formas de expressar um mesmo reconhecimento: a trajetória de Rita merece ser lembrada, estudada e transmitida.
A homenagem não pretende encerrar uma história. Ao contrário, abre novas possibilidades para que ela continue sendo contada, conhecida e compreendida por quem ainda virá.
Porque a memória de uma vida dedicada à educação não se resume ao tempo em que alguém esteve presente. Ela permanece nos ensinamentos, nos alunos, nos profissionais, nas famílias e nas instituições que ajudou a transformar.
Rita Carolina Werner Wollinger agora integra oficialmente o Livro de Honrarias da Academia Itapemense de Letras. E sua história, registrada em palavras, continuará a atravessar gerações.
Para sempre, Rita!