Salim Miguel
- Cadeira 30
Biografia
Salim Miguel, nascido em 30 de janeiro de 1924 na aldeia de Kfarsaroun, Distrito de Koura, no Líbano, foi um escritor brasileiro de origem libanesa, cuja obra literária deixou uma marca indelével na cultura de Santa Catarina e do Brasil. Filho de um professor primário e membro de uma família de cristãos ortodoxos, Salim migrou para o Brasil com apenas três anos de idade. A família inicialmente residiu no Rio de Janeiro por um ano antes de se estabelecer em Biguaçu, uma pequena cidade próxima a Florianópolis.
Salim Miguel destacou-se como um dos mais proeminentes escritores de Santa Catarina e foi um dos fundadores do Grupo Sul, ao lado de Walmor Cardoso da Silva e Eglê Malheiros, sua companheira. O Grupo Sul foi uma referência na literatura catarinense, e Salim também fez parte do corpo editorial da revista “Ficção” no Rio de Janeiro, entre 1976 e 1979. Além disso, atuou como diretor executivo da Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e presidente da Fundação Cultural Franklin Cascaes.
Sua paixão pela literatura se estendeu ao cinema, onde trabalhou como co-roteirista em filmes como “O preço da Ilusão”, “A Cartomante” e “Fogo Morto”. A vastidão de sua obra literária inclui títulos como “Velhice e outros contos” (1951), “Alguma gente” (1953), “Rede” (1955), “O primeiro gosto” (1973), “A morte do tenente e outras mortes” (1979), “A voz submersa” (1984), “Dez contos escolhidos” (1985), “O castelo de Frankenstein, anotações sobre autores e livros” (1986), “A vida breve de Sezefredo das Neves, poeta” (1987), “As areias do tempo” (1988), “O castelo de Frankenstein, II” (1990), “As várias faces” (1994), “Primeiro de abril, narrativas da cadeia” (1994), “As desquitadas de Florianópolis” (1995), “Onze de Biguaçu mais um” (1997), “Variações sobre o livro” (1997), “As confissões prematuras” (1998), “Nur na escuridão” (1999), “Apontamentos sobre meu escrever” (2000), “Eu e as corruíras” (2001), “Mare Nostrum” (2004), “As cartas d’Africa e alguma poesia” (2005), “O sabor da fome” (2007), “Minhas memórias dos outros escritores, anotações sobre autores e livros” (2008) e “Jornada com Rupert” (2008).
O livro “Eu e as corruíras” (2001) rendeu a Salim Miguel o Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano em 2002, concedido pela União Brasileira de Escritores em parceria com o jornal Folha de S.Paulo. Em 2009, a Academia Brasileira de Letras o homenageou com o prestigioso Prêmio Machado de Assis.
Além de sua carreira literária, Salim teve uma longa atuação como jornalista e foi proprietário de uma livraria e editora. Ele se aposentou como funcionário público. Após Cruz e Sousa, ele é considerado o escritor mais importante de Santa Catarina e a principal personalidade cultural do estado no século XX.
Salim possuía uma casa de veraneio em Cachoeira do Bom Jesus e vivia em um apartamento nas proximidades da UFSC em Florianópolis. Por volta de 2005, começou a enfrentar problemas de visão, que o levaram à cegueira.
Salim Miguel faleceu em Brasília no dia 22 de abril de 2016. Seu legado é celebrado na Academia Itapemense de Letras, onde ele é o patrono da cadeira número 30, uma honra que reflete sua contribuição monumental para a literatura e cultura brasileiras.
- 30/01/1924
- Koura, no Líbano
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- 22/04/2016