María Lilia Motta Cancian
- Cadeira 05
- Posição 02
Biografia
María Lília Motta Cancian é pianista, compositora, escritora, colunista e gestora cultural, com uma trajetória de mais de quatro décadas dedicadas à música, à literatura e à valorização da cultura brasileira. Sua história artística é marcada pela sensibilidade, pelo compromisso com a identidade cultural do país e pela atuação em diferentes cenários nacionais e internacionais.
Sua carreira profissional teve início ainda na juventude, em meados da década de 1970, quando se apresentou no tradicional Copacabana Palace Hotel, no Rio de Janeiro, a convite de Jorge Guinle. Naquele período, destacou-se como uma das pianistas mais jovens da noite carioca e recebeu de Vinicius de Moraes o carinhoso apelido de “Caçulinha dos músicos cariocas”, reconhecimento que marcou sua formação artística e pessoal.
Ao longo de sua carreira como pianista e compositora, Lílian registrou 86 obras autorais, entre letras e melodias, na SADEMBRA. Entre suas composições, destaca-se a melodia oficial do Hino da Cidade de Bombinhas, em Santa Catarina, município onde estabeleceu raízes há 37 anos e com o qual mantém uma importante ligação cultural.
Sua produção musical dialoga especialmente com a Música Popular Brasileira (MPB) e a Bossa Nova, gênero que considera uma das mais refinadas expressões artísticas do Brasil. Como intérprete e compositora, construiu um percurso que valoriza a musicalidade nacional e promove o encontro entre a tradição e a sensibilidade contemporânea.
Sua atuação ultrapassou as fronteiras brasileiras. A convite do Itamaraty, representou a cultura nacional em convenções internacionais, levando a música brasileira a espaços como o Hotel Biltmore Coral Gables, em Miami; o Pete’s Dueling Piano Bar, em Houston; e o Gran Teatro Alicia Alonso, em Havana. Também realizou apresentações em Taiwan, na França e em Punta del Este, além de manter contratos de longa duração com importantes redes hoteleiras brasileiras.
O trabalho de Lílian Motta Cancian conquistou visibilidade em programas de grande audiência da televisão brasileira, como Fantástico, Programa do Jô, Mais Você e Altas Horas, entre outros.
Sua trajetória também foi registrada no livro Me Leva Brasil, do jornalista Maurício Kubrusly. Mais recentemente, sua história foi retratada no documentário Quem é Lílian Motta Cancian, premiado pela Lei Paulo Gustavo de Fomento à Cultura.
Esses registros ampliam a memória de uma carreira construída por meio da música e evidenciam a relevância de sua contribuição para a difusão da cultura brasileira.
Paralelamente à carreira musical, Lílian desenvolveu uma expressiva atuação como colunista e comentarista cultural. Há mais de 25 anos escreve sobre música popular e movimentos artísticos em jornais locais das cidades onde residiu, entre elas Rio de Janeiro, Curitiba, Vassouras e municípios do litoral catarinense.
Para ela, a escrita representa uma extensão natural da expressão musical: se a música se manifesta pela melodia, a palavra permite preservar experiências, ideias e memórias. Essa compreensão aproxima suas atividades artísticas e literárias, reunindo diferentes formas de expressão em torno de um mesmo propósito: valorizar a cultura e registrar a experiência humana.
Sua atuação também se estende à gestão cultural e à promoção de eventos, muitos deles de caráter beneficente, voltados ao apoio de causas sociais e à valorização de artistas locais.
Entre suas iniciativas, destaca-se a criação do Cassoulet Cultural by Lílian Motta Cancian, projeto que integrou gastronomia e manifestações artísticas e recebeu menções honrosas por sua contribuição cultural e social.
Essa experiência demonstra sua capacidade de articular diferentes linguagens e mobilizar a comunidade em torno da arte, da solidariedade e da valorização dos talentos regionais.
Em 2021, Lílian foi nomeada membro da Academia de Letras da Tijuca (OATL), ocupando a cadeira nº 24, cuja patrona é a jornalista e poetisa Cora Laus. Na instituição, exerce também a função de secretária, experiência que fortaleceu seu compromisso com a literatura, o intercâmbio cultural e a preservação da memória intelectual.
Para ela, a arte é instrumento de elevação humana. Sua trajetória expressa a convicção de que a música emociona, aproxima pessoas e atravessa fronteiras, enquanto a palavra preserva histórias e perpetua ideias.
- 26/01/1951
- Rio de Janeiro (RJ)
- 16/10/2026
- -