João da Cruz e Sousa
- Cadeira 02
Biografia
João da Cruz e Sousa, nascido em 24 de novembro de 1861 em Nossa Senhora do Desterro (hoje Florianópolis), foi um poeta brasileiro de grande relevância, reconhecido como o pioneiro e principal representante do simbolismo no Brasil. Filho de escravos alforriados, Cruz e Sousa teve a sorte de ser tutelado pelo marechal Guilherme Xavier de Sousa, que lhe proporcionou uma educação refinada, incluindo o aprendizado de idiomas como francês, latim e grego, além de matemática e ciências naturais com o naturalista Fritz Müller.
Cruz e Sousa foi um defensor incansável da causa abolicionista, enfrentando o racismo e as barreiras sociais de sua época. Dirigiu o jornal “Tribuna Popular” e publicou seu primeiro livro, “Tropos e Fantasias”, em 1885. Em 1893, lançou “Missal” e “Broquéis”, obras que inauguraram o simbolismo no Brasil. Apesar de seu talento reconhecido por figuras como Luiz Gama e Olavo Bilac, enfrentou dificuldades profissionais devido ao preconceito racial, sendo recusado para o cargo de promotor em Laguna por ser negro. No Rio de Janeiro, trabalhou como arquivista e colaborou com diversos jornais, vivendo momentos de dificuldade financeira e pessoal, incluindo a morte prematura de seus quatro filhos e a subsequente loucura de sua esposa, Gavita.
Cruz e Sousa faleceu em 19 de março de 1898 em Curral Novo, Minas Gerais, vítima de tuberculose. Seu corpo foi transportado para o Rio de Janeiro em condições precárias e sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier. Em 2007, seus restos mortais foram transferidos para o Palácio Cruz e Sousa, em Florianópolis, onde hoje é o Museu Histórico de Santa Catarina. Reconhecido como um dos patronos da Academia Catarinense de Letras, ocupando a cadeira número 15, Cruz e Sousa é celebrado como o “Dante Negro”, cuja obra só foi devidamente valorizada com o advento do modernismo no século XX.
- 24/11/1861
- Nossa Senhora do Desterro (hoje Florianópolis - SC)
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- 19/03/1898