Ernâni Rosas

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Biografia

Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida, nascido em 31 de março de 1886 no bairro Saco dos Limões, em Desterro (hoje Florianópolis), e falecido em 1955 em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, foi um poeta simbolista cuja obra permaneceu majoritariamente inédita até recentemente. A vida de Ernani foi marcada por uma produção literária intensa e um reconhecimento tardio, sendo a sua biografia tecida a partir de poucos registros concretos e muitos vestígios dispersos.

 

Ernani Rosas, como preferia ser chamado, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1889. Seu primeiro poema datado, “Uma mulher perdida”, surgiu em 1904, mas foi somente a partir de 1911 que sua produção poética se tornou mais expressiva. Em 1917 e 1918, lançou duas plaquetes, “Certa lenda numa tarde” e “Poema do ópio”, em distribuições restritas entre amigos no Rio de Janeiro.

 

O poeta teve contato com a elite literária da época, incluindo o poeta português Luís de Montalvor, com quem trocou correspondências e que o conectou à poesia lusitana. Ernani chegou a ser convidado a colaborar na revista “Orpheu”, de Portugal, mas não há registros de que tenha efetivamente participado da publicação.

 

Ernani enfrentou dificuldades financeiras após a morte de seu pai em 1925 e sofreu discriminação por ser gago e homossexual, o que contribuiu para sua relativa obscuridade e as condições difíceis em que viveu.

 

Utilizava pseudônimos como Ritus da Cruz, Narciso Caspio, Antonio Luso e Alda Trigueiros, o que adicionava camadas de complexidade à sua identidade literária. Esses nomes refletiam diferentes facetas de sua poesia, desde a inspiração portuguesa até a experimentação com formas femininas de expressão.

 

A obra de Ernani começou a ser redescoberta e valorizada pelos concretistas paulistas, que viam nele um precursor do supra-realismo e do pré-modernismo. A Editora da UFSC publicou em 2008 “Cidade do ócio: entre sonetos e retalhos”, uma coletânea de seus poemas, mas ainda existem manuscritos inéditos. O projeto “Autores, obras e acervos literários catarinenses em meio digital” da UFSC tem trabalhado na digitalização e divulgação de sua obra.

 

Seus manuscritos são variados, sem uniformidade em tamanho, forma ou cor da tinta, e muitas vezes incluem alterações feitas com diferentes cores. A grafia de Ernani varia do desenhado ao quase ilegível, e ele demonstra uma sensibilidade para a efemeridade da vida e da arte, como expresso em um de seus manuscritos: “Cidade do ócio seria um livro se Eu fosse mais moço! mas, como ‘tou velho não passará de um cântico!”

 

Ernani Rosas é o patrono da cadeira número 16 da Academia Itapemense de Letras, uma homenagem que busca resgatar sua contribuição única para a literatura brasileira. Sua poesia, marcada por um simbolismo tardio e uma dicção que dialoga com a poesia portuguesa, é um testemunho de sua busca por expressão e identidade literária, apesar das adversidades e do esquecimento que cercaram sua vida.

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