Itapema (SC), 12 de setembro de 2025
Excelentíssima senhora, vice-presidente da Academia Itapemense de Letras, Professora Ilda Helena Cezar.
Excelentíssimas autoridades já nominadas,
Excelentíssimos Presidentes de Academias coirmãs que nos honram com suas presenças,
Ilustríssima Professora Salua, e, em seu nome, cumprimento todos os docentes que nos prestigiam,
Honrosos membros da Academia Estudantil de Letras,
Caríssimas Confreiras,
Caríssimos Confrades,
Minhas senhoras, meus senhores.
Inicio este pronunciamento com versos de Cora Coralina, que nos ensina com a sabedoria dos séculos:
“Não sei… se a vida é curta ou longa demais pra nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.”
Recordo esses versos porque, há 25 anos, nos últimos dias do século passado, estávamos unidos para celebrar a fundação da Academia Itapemense de Letras, uma instituição nascida não para erguer muros, mas para construir pontes.
Naquela ocasião, ainda jovem, tive a honra de ser escolhido pelos 14 membros fundadores como o primeiro presidente desta augusta Casa. Desde então, outros nomes ilustres ocuparam essa função e hoje figuram em nossa galeria: Maria de Lourdes Cardoso Mallmann, Marileide Lonzetti, Ilda Helena Cezar, Pedro de Quadro du Bois, Maira Kelling e Estella Lucas Parisotto, essa última responsável pela retomada desta Academia com força e vigor.
Ao longo deste tempo, cada presidente, à sua maneira, manteve acesa a chama que nos foi confiada pelo saudoso Paschoal Apóstolo Pítsica, então presidente da Academia Catarinense de Letras. E quis o destino, e a generosidade de meus confrades e confreiras, que, após 25 anos, eu retornasse a este cargo, tendo a oportunidade única de conduzir esta cerimônia jubilar de bodas de prata. A todos vocês, o meu muito obrigado!
Vale destacar que nestes 25 anos também enfrentamos perdas irreparáveis, que sempre devem ser lembradas: Mariazinha, Pedro, Ofélia e, mais recentemente, nossa pequena Luiza. Eles partiram, mas a palavra que deixaram não se calou. A grandeza de ser acadêmico reside na certeza de que, ao partirmos, a nossa voz ecoa, não em monumentos de pedra, mas nas mentes e corações que tocamos com nossa escrita. É essa a verdadeira imortalidade. E é justamente por isso que aqui estamos: para honrar a memória dos que se foram e, ao mesmo tempo, renovar a vida desta instituição, acolhendo novos membros e novos desafios. Assim, quando a nossa hora chegar, partiremos com a certeza de que outros continuarão esta luta por uma Itapema e um Brasil de livros e de sedentos leitores. Isso porque acreditamos: enquanto houver livros, jamais estaremos sozinhos; enquanto houver poesia, haverá esperança; e enquanto houver literatura, a vida terá sentido.
Minhas senhoras e meus senhores. É com esse espírito de renovação que saúdo os novos confrades Edison e Joel, que ingressam à nossa confraria trazendo vigor, energia e entusiasmo para fortalecer nossa caminhada. Faço votos de que, guiados pelo Espírito Santo, vocês continuem a fazer da escrita e da literatura um instrumento de esperança, de justiça e de transformação social. Sejam bem-vindos!
Registro também minha homenagem ao confrade jubilado Ivo Gomes de Oliveira, cuja seriedade e integridade o tornaram exemplo para todos nós. Que sua vida, nobre confrade, seja sempre repleta de lucidez e inspiração, a nos brindar com a beleza de seus escritos.
Também não posso deixar de fazer uma menção especial à direção, professores, funcionários e estudantes do Centro Municipal de Educação Infantil Alto São Bento, que no último domingo prestaram uma homenagem à essa Academia durante o desfile de 7 de setembro. Esse gesto, singelo e grandioso ao mesmo tempo, reafirma que a literatura floresce desde a infância e que o nosso trabalho ganha sentido quando inspira as novas gerações. Em nome da diretora, Clédsa, recebam, todos, o nosso sincero agradecimento.
Tenho, igualmente, imensa alegria em saudar a presença da professora regente e dos jovens integrantes da Academia Estudantil de Letras, da Escola Municipal Oswaldo Reis. Sou convicto de que este é um projeto de valor inestimável, que forma adolescentes pela leitura e pela escrita, preparando mentes brilhantes para moldar o presente e nos oferecer esperança de um futuro melhor. São adolescentes que nos asseguram que a palavra não envelhece; ela se renova, veste-se de novos sotaques e continua a dizer o que precisa ser dito. Saibam todos vocês que a Academia não existe para si mesma, mas porque há leitores, professores, escolas e famílias que acreditam no poder transformador da palavra. Recebam meu profundo agradecimento e faço votos de que, em alguns anos, vocês possam ocupar essas cadeiras da Academia Itapemense de Letras, sucedendo-nos com louvor e mantendo acesa a chama da literatura, da sabedoria e da imortalidade.
Meus confrades e minhas confreiras.
Hoje vivemos um marco em nossa trajetória coletiva que não pode se perder em meio à rotina. Nesta cerimônia reafirmamos nosso compromisso com aquilo que verdadeiramente deveria interessar a esta cidade: a sua história, a sua memória, a sua cultura e a literatura.
Com a ousadia que me move, tomo a liberdade de lançar diante de vós não apenas seis desafios, mas seis pilares que sustentarão o nosso farol nos próximos 25 anos. Seis promessas que fazemos à nossa cidade, ao nosso país, e às futuras gerações:
Primeiro pilar: Proteger o caráter desta confraria como espaço intelectual livre, onde a divergência não é barreira, mas caminho para o diálogo. Pois só o diálogo nos torna verdadeiramente humanos e é por meio dele que evoluímos e afloram novas ideias.
Segundo pilar: Cultivar a escrita e a leitura profundas, em tempos de superficialidade incentivada pelas redes sociais. Isso porque a palavra só transforma quando mergulha fundo no âmago das pessoas.
Terceiro pilar: Iluminar o mar de desinformação, que confunde as mentes e isola o ser humano em falsas certezas, fechando portas ao encontro e à verdade. Pois sem verdade não há liberdade, nem cultura, nem a expressão plena da literatura.
Quarto pilar: Abraçar o diálogo com as novas tecnologias e linguagens digitais, sem perder a essência do livro e da palavra escrita. Isso porque a literatura não teme o novo: ela se reinventa e se mantém viva.
Quinto pilar: Reconhecer que a literatura se fortalece quando dá voz à diversidade: às vozes femininas, indígenas, negras, periféricas e juvenis, que enriquecem nossa cultura. Isso porque a palavra é ainda mais bela quando tem diversidade, cores diversas e muitos sotaques.
Sexto pilar: Integrar a Academia cada vez mais à vida da comunidade, levando a literatura para além das paredes acadêmicas e fazendo dela um instrumento de transformação social. Porque uma Academia de Letras só tem sentido quando se abre, conversa e abraça o povo.
Encaminhando-me para o fim, volto a Cora Coralina: “Não sei se a vida é curta ou longa demais”. Mas sei que a nossa missão, como imortais, não é apenas tocar corações, mas acender neles a própria chama da palavra, para que eles, por sua vez, se tornem faróis para outros. Assim tem sido a trajetória da nossa Academia: uma chama acesa há 25 anos, que resistiu ao vento das dificuldades e ao tempo das ausências. Essa chama, que nasceu pequena, hoje ilumina nossa cidade e inspira novas gerações. E, ao olhar para o futuro, vejo essa chama transformar-se em farol. É sabido que um farol não guarda a sua luz para si; ele a projeta para guiar navegantes em meio às tempestades. Assim também haverá de ser a nossa Academia: não guardaremos a palavra apenas para nós, mas a ofereceremos como luz para a comunidade, como orientação para quem busca o saber e como esperança para quem acredita que a palavra e a literatura são um porto seguro em tempos de incerteza.
Sinceramente, não sei se terei a oportunidade e a lucidez para comemorar o jubileu de ouro da nossa Academia, mas faço votos de que a Academia Itapemense de Letras siga firme, nos próximos 25 anos, como farol de cultura, memória e sonho. Mas cabe a vocês, Joel e Edison, junto a outros jovens que ocupam as nossas cadeiras, a responsabilidade para que a chama acesa naquele longínquo 1º de setembro de 2000 siga transformando-se em farol: luz que não se guarda, mas que guia, inspira e mantém viva a esperança por um mundo melhor.
A chama da literatura que hoje nos ilumina não é propriedade de poucos, mas a herança de todos nós. Convido a todos vocês, professores, estudantes, leitores, a se unirem a nós nessa jornada. A utopia da nossa Academia só se realiza com o compromisso de cada um de vocês.
Por fim, convido todos os presentes a visitarem o nosso site, onde poderão conhecer mais sobre a história da Academia, seus patronos, seus membros e seus projetos. E agora, durante o coquetel que será servido, estará disponível a nossa antologia comemorativa dos 25 anos. Ela poderá ser adquirida para que todos levem consigo um pedaço desta história e desta chama que nos ilumina há um quarto de século.
Agradecendo a atenção e o prestígio de todos, declaro, assim, encerrada esta Sessão Solene. Sigamos juntos, fiéis à palavra, à memória e à utopia. Que a nossa palavra, como um rio, continue a fluir, a nutrir a terra, a saciar a sede de conhecimento e a levar esperança a cada novo amanhecer.
Muito obrigado!
Dr. André Gobbo
Presidente
Membro da cadeira nº 08