Nas periferias do meu estado de Minas Gerais, há um ditado popular que se diz: “Este mundo é muito pequeno”. Essa expressão vem justificar que por mais desconhecidas que sejam as pessoas ou os acontecimentos sejam inusitados, a qualquer hora eles se encontram se tornam familiares como se fossem do mesmo meio.
Assim, ocorrem com pessoas estranhas que se descobrem graus de parentescos próximos, amigos de longas datas, bem como parceiros de algum acontecimento imprevisto.
As nossas histórias e os nossos mundos se assemelham de maneiras tão inesperadas que nos levam a afirmar que “este mundo é realmente pequeno”.
Saí de Minas em tenra idade, vivi 40 anos no Paraná, onde formei família e me realizei profissionalmente. Nada me motivava a sair de uma cidade onde predominavam as minhas amizades, bens materiais e espírito emocional qualitativo. Foi lá que me fiz um homem fraterno, livre, de bons costumes e arraigado a uma cultura talhada a dos meus moldes ancestrais.
Porém, todas as vezes que passava por Santa Catarina, algum detalhe especial me chamava atenção, cidades ordeiras, ruas arborizadas, famílias acessíveis e cassas ornamentadas, como se fossem de bonecas. Essas atrações me chamavam tanto atenção que não resistir em mudar o meu endereço residencial para a belíssima e hospitaleira cidade de Itapema.
“Volto a dizer, como este mundo é pequeno”, foi nesta cidade que entre dezenas de pessoas, em uma reunião que não tinha sido convidado, me encontrei com um distinto senhor com uma meia dúzia de livros debaixo do braço. Como poeta e apaixonado pela arte de versificar, me aproximei do escritor desconhecido que não excitou em demonstrar os seus escritos, explanando com tal ênfase a sua vocação que não me contive em também falar das minhas atividades literárias. Foi nesse momento, que o já conhecido Ivo Gomes de Oliveira, divulgou e me convidou para fazer parte do “Talento Poético”, no ano de 2.020, em Florianópolis numa promoção da Editora Becalete.
Esse encontro de profissionais da área literária, foi um divisor de águas na minha vida de poeta, pois conheci escritores de vários Estados e de versatilidades ímpares, sendo que que nessa oportunidade fui presenteado com o livro autografado, do hoje amigo, Ivo Gomes de Oliveira, com o título “IGdeOL, coletânea de textos, que tenho a honra de preservá-lo em minha estante.
Mais uma vez repito, “como este mundo é pequeno”, pois um mineirinho de Minduri-MG distante a mais de 2 mil quilômetros de Carazinho – RS, cidade natal do escritor e poeta Ivo Gomes de Oliveira, viemos a nos encontrar em Itapema – SC, e hoje, somos acadêmicos da Academia Itapemense de Letras, e tendo o orgulho de ter sido apresentado, à Academia, por este ilustre confrade.
Para ilustrar a Biografia do nosso homenageado teremos que proceder as seguintes considerações:
Ivo Gomes de Oliveira, nasceu em Carazinho (RS), no dia 01 de outubro de 1.949. Poeta, escritor, revisor de textos e bancário aposentado. Utiliza o pseudônimo IGdeOL). É graduado em Letras, Língua Portuguesa e Respectiva Literatura e Pós-Graduado em Maçonologia: História e Filosofia.
Escreveu três livros de poemas e participou de doze antologias e coleções de poemas e prosa em edições brasileiras.
Foi premiado em diversos concursos poéticos e de declamação. É membro vitalício da Academia Itapemense de Letras (Cadeira nº 25); Sócio correspondente da Academia Carazinhense de Letras, e Membro Correspondente da Academia Internacional de Maçons Imortais (AIMI).
Em 2.006 foi agraciado com a Comenda Letras Catarinenses – Edição Histórica da Literatura com raízes em Santa Catarina.
Atualmente, é titular da cadeira 25 da Academia Itapemense de Letras e tem como seu patrono o ilustre escritor “Fernando José Karl”.
Nas palavras a seguir destacamos a sapiência e realizações que constam da Biografia do patrono, Fernando José Karl, nascido em 16/08/1.921 na cidade catarinense de Joinville. Cidadão eminentemente político escritor, roteirista de cinema, pintor e poeta, cuja obra e influência marcaram profundamente a cultura literária e artística brasileira, especialmente nas regiões de Santa Catarina e Paraná.
Nos anos 1.980, Fernando mudou-se para Curitiba, onde se tornou uma figura central no cenário cultural. Graduado em Letras e conhecido por seu domínio excepcional da escrita, ele se destacou como um dos principais colaboradores do jornal cultural “Nicolau”, publicado pela Secretaria Estadual de Cultura do Paraná. Este periódico foi uma referência crucial para a divulgação de trabalhos de escritores regionais e nacionais, oferecendo uma plataforma para jovens talentos e materiais que muitas vezes não encontravam espaço na mídia comercial.
Fernando Karl ingressou no “Nicolau” inicialmente como revisor, passando posteriormente à redação, onde produziu textos e entrevistas significativas. Ele fez parte da equipe editorial durante o período de 1.990 a 1.994, considerado a fase áurea do projeto, sob a coordenação editorial do renomado escritor Wilson Bueno. O jornal alcançou uma circulação de 77 mil exemplares e um prestígio que ultrapassava as fronteiras do Paraná. Contudo, com a mudança de gestão no estado, o periódico começou a enfraquecer, tornando-se semestral e, eventualmente, encerrando suas atividades no final de 1.997.
Após a extinção do “Nicolau”, Fernando Karl continuou sua trajetória no jornalismo cultural, integrando a equipe do caderno “Anexo” do jornal “A Notícia” em Joinville. Em 2.001, ele também teve a experiência de editar a “Folha do Litoral” em São Francisco do Sul, Santa Catarina.
Além de sua carreira literária, Fernando Karl também atuou como roteirista e artista visual, demonstrando sua versatilidade e paixão pelas artes. Sua habilidade em contar histórias se estendeu ao cinema, enquanto suas habilidades visuais foram expressas através da pintura.
A obra “O livro perdido de Baroque Marina” rendeu a Fernando José Karl o Prêmio Cruz e Souza de Literatura em 2.010, na categoria Romance. Ele também contribuiu com a revista “Pobres & Nojentas”, de Florianópolis, ampliando ainda mais seu legado literário.
Fernando deixou uma história magistral, artística e significativa, que continua a inspirar e influenciar novas gerações. Como patrono da cadeira número 25 da Academia Itapemense de Letras, ele simboliza a riqueza e a diversidade da expressão cultural.
Com a sua partida, Fernando José Karl deixou um acervo literário e artístico que ainda merece ser amplamente divulgado e acessado pelo público. Sua vida e obra são um tributo à paixão e ao comprometimento com a cultura e as artes, e sua memória permanece viva através de suas criações.
IGdeOL
“Acróstico”
Ivo, escritor, poeta e admirador da sua arte solidária.
Vive do esmero e do deleite que a literatura lhe induz.
Oxigênio é a inspiração que respira em sua mente literária.
Gigante se torna quando percebe a sua originalidade.
Olhos que vão além do seu tempo, para medir as ações.
Mesmo ao aproximar da conquista, abriga a generosidade,
Espírito envolvente que eleva a paz em suas predileções.
Sapiência de fé no ensino é extraída da altiva habilidade.
Deus está no leme de suas mais cúmplices atitudes alheias,
Erigindo os seus gestos para retirar as relíquias das bateias.
Omissão não adere o cotidiano venturoso e comprometido.
Livre por natureza, pois foi aceito na versatilidade do compasso
Instrumento simbólico para esquadrejar o ponto fiel já definido
Virtude que assegura a pontualidade do objetivo a cada passo.
Escola de dádiva nas horas de encetar o caminho comprometido.
Irmão com base em seus ensinamentos pertinentes a cada lasso.
Raro é o seu ideal ao ponto de contemplarem o seu dom aguerrido.
Amor ao que faz é um compromisso leal sem deixar o rito escasso.
Para o meu amigo, confrade e irmão, Ivo Gomes de Oliveira
Itapema, 12 de setembro de 2025.