Discurso de Posse do acadêmico Edison Luiz Leal Júnior

Excelentíssimos confrades e confreiras da Academia Itapemense de Letras, em especial o presidente desta instituição, Dr. André Gobbo, autoridades presentes, familiares, amigos e convidados, boa noite.

Recebo hoje, com profunda emoção e humildade, a honra de ocupar a Cadeira 26 desta respeitável instituição. Este momento não é apenas um marco em minha trajetória pessoal, mas também um compromisso com a memória e com a palavra, que nos une e nos dá sentido.

Assumir a cadeira 26 é assumir também o legado de sua patrona, Júlia Maria da Costa, mulher que ousou escrever quando escrever era quase um ato proibido para o feminino. Primeira paranaense a publicar um livro, Flores Dispersas (1867), Júlia abriu caminhos para tantas outras vozes que vieram depois dela, rompendo silêncios e semeando coragem.

Poeta da saudade, da melancolia, das inquietações humanas, mas também da rebeldia e da esperança, Júlia nos deixou versos que são mais do que poesia: são testemunhos de uma vida intensa, marcada por dores, por amores não vividos, por lutas políticas e pela ousadia de se colocar em debates que, muitas vezes, tentavam excluí-la.

Ela mesma disse: “Ser inteligente é um fardo muito pesado para uma mulher.” E, ao dizer isso, denunciou os limites que lhe impunham, mas também nos legou a força de resistir.

Nascida em Paranaguá, mas feita também do mar e do vento de São Francisco do Sul, Júlia é disputada por estados, mas pertence, na verdade, ao Brasil — e mais ainda, à literatura universal.

Hoje, ao receber a honra desta cadeira, prometo não apenas guardá-la como símbolo, mas fertilizá-la com novas palavras, com estudos, com reflexões. Prometo cuidar das flores que Júlia lançou ao vento e semear, com humildade, as minhas próprias flores, para que outros, no futuro, também encontrem inspiração.

Aproveito o momento, para um agradecimento especial a minha companheira, Renata Lewandowski Montagnoli, que foi e é minha grande incentivadora para entrar na literatura. Uma mulher inteligente, forte, intensa e também muito corajosa. Obrigado, meu amor, por caminhar ao meu lado.

E ao meu filho, João Antônio Montagnoli Leal, que deixou minha vida muito mais colorida e cheia de sentidos. Filho, eu te amo.

Neste ano em que a Academia Itapemense de Letras celebra seus 25 anos de existência, sinto-me ainda mais honrado em fazer parte desta história. Que possamos continuar, juntos, a escrever novas páginas, preservando a memória e cultivando o futuro da literatura em nossa cidade. À Academia Itapemense de Letras, minha gratidão pela confiança.

À patrona Júlia da Costa, minha reverência e meu compromisso.

E à literatura, este mar sem fim em que navegamos todos nós, minha entrega.

Muito obrigado.

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